sábado, 26 de janeiro de 2008

Atravancando o Passado.

Eu to tentando, malogradamente, evitar falar disso aqui. Não consegui por completo, o nome já é o começo. Tá um dia eu vou conseguir. Por enquanto, quando a saudade da companhia bate, eu me deixo senti-la. Quando eu me recordo, por conta de algumas das 'inumeras associações' que fiz, eu tento lembrar de tudo da voz, do cheiro, do sorriso, das mãos e, principalmente, das palavras. Enfim, se apaixonar é isso mesmo e desapaixonar, também.
Acordei mais do que sempre pensando nele. É um pensar diferente, sem a corriqueira ilusão de que um dia poderá ser. Não, hoje eu só devaneio sbre o que eu gostaria que ele soubesse. É óbvio que nada mudaria, mas eu não teria mais no que pensar, acho. Ah, tudo que eu queria dizer são coisas simples,coisas de quem não sabe explicar o que acontece quando se apaixona. Há muito deixou de ser só encantamento. Ainda existe ele no meio de tudo, mas há também aquele carinho tão gostoso. Uma 'sem-gracez' tão irritante e tão infantil. Um pensamento tão constante, lembranças deliciosamente bobas. Um desejo agoniante, com olhos nos olhos excitantes. Droga, eu não consigo explicar. A saída para algo tão complexo só pode ser a simplicidade.
Ele faz com que eu me arrependa do que eu falo e faço, embora teime em dizer que não sou besta, e sim, bela e, com isso me alegre mais do que imagina. Ele me faz desejar ser mais inteligente e me envergonhar do meu inglês. Me faz sonhar em ser mais bonita, perfeita. Embora ele não o seja. Mas afinal, o que há de mais perfeito do que defeitos tão bobos quanto os dele?
Aquela mania de elogiar e, assim, me enganar. As gírias antigas, que só me convecem de que não se trata de um playboyzinho vazio. A timidez desconcertante que não impede aqueles raros olhos nos olhos, igualmente desconcertantes. O método exagerado. As entradas e os muitos fios de cabelo branco que contrastam com a mania de dar língua. A mania de explicar tudo e fazer de tudo para que eu, sem perceber, lhe conte tudo. A calma inabalável. A sensatez intrigante. As frases de efeito e as gracinhas, que me deixam sem graça, mesmo que eu tente disfarçar. Os comentários perspicazes e inusitados que acabam por me fazer rir, um riso sincero. A educação e gentileza de gentleman. O quase vício em wisky e vodka ( na verdade, qualquer coisa que possua álcool na composição e que seja consumível. ) Como detesta o irmão, respeita o pai e ama, incondicionalmente os 'dogs'. A mania de evitar falar da namorada, creio que para não me magoar. Aquela piscadinha com efeito placebo. A disciplina que eu denominaria como 'nerds', ele 'caxias'. Aquela garrafa de água que parece-lhe vital. A convicção de que não quer filhos, o que me dá a certeza de que fará parte de clube dos pais perfeitos. Os 'três pontinhos" no fim de cada frase, para falar sem se comprometer. O lápis que, inconscientemente,. coça a cabeça quando ele está pensando. O respirar que faz barulho. As perguntas teste. As explicações sem mais nem menos. Os vocativos criativos. A maneira que me faz me sentir bem quando estou com ele; e ,mesmo quando estou desconfotável, é maravilhoso estar lá. O modo como me olha, claro, só quando 'não estou vendo'. E esta forma de pairar na minha mente, imprimir-se por completo nos pensamentos. Mas, principalmente, como faz-me sentir patética pensando tudo isso o tempo todo, ver seu rosto e sentir seu cheiro em mais lugares do que gostaria. E concluir que alguém que tão cheio de 'defeitos' só pode ter um beijo maravilhosamente perfeito. Além de querer saber ( e provar) o quão tântrico ele anda. Patética porque sei que mesmo que, milagrosamente, eu consiga fazer com que ele saiba disso tudo, nada vai mudar, vamos sair da vida um do outro assim como entramos: do nada, sem explicações, sem mais nem menos. É provável que ele saia sem ter nada meu lá dentro, mas é certo que muito dele veio parar aqui dentro.

Ah, que vontade dele.

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